A Voz da Ilha está de endereço e cara nova!

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É aqui?

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Faz-se tarde em uma Ilha muito longe daqui, uma Grande Ilha com belezas naturais e histórias que se parecem com as daqui.
Como de costume, repousava debaixo de um arvoredo um velho aventureiro quando, de repente, apareceu um visitante vindo da cidade grande munido de um vasto vocabulário. Aparentando estar deslumbrado com as belezas da Ilha pergunta: – Amigo que lugar maravilhoso é esse? É a Ilha da paz, responde o aventureiro. O visitante insiste nas perguntas, “O amigo mora aqui?” A resposta é imediata, “eu nasci, cresci, rodei por esse mundão afora e voltei pra morrer aqui!” Fala o visitante: “eu sou ambientalista vivo numa selva de pedras e adoraria descansar neste paraíso e ajudar a preservá-lo. Nativo, será que encontro por aqui um terreninho para comprar?”
Sem perder tempo responde o nativo: “o Sr. acabou de dizer que é ambientalista e quer preservar esse paraíso, e agora já quer comprar terra aqui, se comprar vai construir, para construir vai desmatar e o esgoto onde vai jogar? Oh! Sr. Rapina esse papo de ambientalista é tudo balela e embromação pra enrolar as pessoas sem noção.” “Nativo você me conhece?” “Conheço muito mais do que o Sr. imagina , sou do mundo. Vivo neste mundo e sou bom observador e não me engano com aparência daqueles que gostam de ser tratados de doutor, a vida dá muitas voltas e as vezes nos coloca frente a frente com o passado. O passado que foi muito ruim.”
“O Sr. lembra da costeira que mandou murar para fazer um cais para sua lancha encostar, minhas mãos estavam lá e aquelas árvores que mandou derrubar para a rede elétrica passar, meu machado é que estava lá.”
“Lembra do  mangue que mandou aterrar para construir em seu lugar, minha pá também estava lá, lembra do corregozinho que mandou desviar para seu terreno aumentar, minha enxada estava lá. “
“Lembra Sr. Rapina dos pés de aroeira que mandou cortar para sua casa ter vista para o mar? Eu era o homem que lhe aconselhei a não tirar, mas não adiantou.”
“E aquela calçadinha feita de pedras retiradas da costeira, era minha canoa que ia até a ilha buscar.”
“E, Sr., o gerador que você usa para iluminar sua casa, pode não ser tão barulhento como os fogos do vizinho, mas polui o nosso ar!”
“Tem até quem plante bambu só para disfarçar, cara de pau assim não dá para aturar. Viu Sr. Rapina como eu lhe conheço bem, nessas aventuras minha missão era só trabalhar, pois tinha minha família para sustentar, mas o seu propósito não era preservar, seus argumentos eram lero-lero e blá-blá-blá, ambientalista de verdade é difícil encontrar, mas é muito comum ver falsas bandeiras se levantarem e escorregões alheios apontarem, desviando atenção dos olhares discretos dos que se vestem de proteção.”

É aqui?