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O pé de cobi

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Amiga, as últimas gotas de orvalho da madrugada caem sobre minha robusta copa, molhando as melindrosas folhas que protegem meu corpo. Sutilmente vem amanhecendo o dia, o aroma da manhã cheira sexta-feira, o paraíso é aqui! Compartilho o silêncio do momento com o imponente papagaio que lá das alturas testemunha o doce despertar da vila.


Os primeiros raios do sol já banham as ruas de terra, as janelas das casas se abrem, olhares, ainda sonolentos, se voltam para o céu azul, pássaros livres entoam cânticos de liberdade quebrando a melancolia que existe ao meu redor, trazendo vida para um novo dia e um sopro de alegria para essa união tão fria que envolve minhas raízes, logo não estarei mais sozinho em pé nesta esquina, nem o vazio do tempo me incomodará! Xô, solidão, que todas as noites insiste em me abraçar, já ouço o vem e vai das pessoas que seu pão vão buscar, sinto o cheiro do tempero do amigo Tourão exalando no ar da sorridente Vila do Abraão. 


O relógio é meu irmão, logo a tarde vai chegar, o sol vai se por, a brisa vai soprar, estrela do mar mansamente chega para brilhar, lá do canto vão chegar os meninos para a roda fechar, minha sombra é um aconchego natural que basta para os amigos prosearem, na mesa cerva gelada e o rosto feminino não pode faltar, o papo é redondo, vocabulário farto, pra variar, e eu ali em pé só ouvindo sem poder falar, mas a natureza me concebeu o direito de nascer e da vida participar com meus galhos abraçadas à uma parede que me viu crescer, mais sem as noites de sexta-feira e os corações que me cercam seria impossível sobreviver, e essa forte amizade que formamos nesse pedacinho de chão é que eu chamo de viver, e a felicidade tantas vezes almejada é tão simples de se ter vivendo com emoção e prazer cada momento que a vida nos conceder.


O personagem principal desta história é um pé de COBI que nasceu na entrada da Rua do Bicão, e a sua amiga é a velha casa que foi transformada em restaurante, um pé de COBI também encanta e tem o seu valor.